Silêncio em Ubaíra: Ministério Público declara guerra à poluição sonora

Foto: Reprodução

A cidade de Ubaíra, no Vale do Jiquiriçá, está passando por uma verdadeira reeducação acústica. Após uma série de denúncias de moradores incomodados com o excesso de ruído em áreas residenciais, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) decidiu agir com firmeza contra a poluição sonora que vinha transformando noites tranquilas em madrugadas insuportáveis.

O barulho virou caso de Justiça

O MP-BA, representado pelo promotor de Justiça, Dr. Isaías Marcos Borges Carneiro, emitiu recomendações formais a bares, casas de eventos, donos de paredões de som e até igrejas — exigindo o cumprimento da legislação ambiental no município. A medida inclui restrições severas ao uso de equipamentos sonoros em lugares sensíveis.

A recomendação também foi estendida à Prefeitura de Ubaíra, que agora está proibida de emitir alvarás de funcionamento ou sonorização para estabelecimentos que não comprovem adequação às normas legais. A Polícia Militar foi orientada a utilizar decibelímetros durante fiscalizações, e a municipalidade deve atuar em conjunto para coibir abusos.

Paredões de som na mira

Um dos focos da ação são os populares “paredões de som”, que se tornaram símbolo de festas informais e encontros de rua. Embora culturalmente enraizados, esses equipamentos são apontados como os principais causadores de perturbação do sossego público. O MP-BA determinou que qualquer som audível fora do veículo será considerado infração, passível de apreensão e multa.

Campanhas educativas e fiscalização

Além da repressão direta, o Ministério Público recomendou a realização de campanhas educativas sobre os impactos da poluição sonora na saúde mental, no rendimento escolar e na convivência comunitária. Delegados da Polícia Civil foram instruídos a priorizar a apuração de crimes relacionados à perturbação do sossego, reforçando que o barulho excessivo não é apenas incômodo — é ilegal.

Com a cidade em processo de readequação sonora, Ubaíra dá um passo importante para equilibrar cultura, lazer e qualidade de vida. O silêncio, ao que tudo indica, está voltando a ser respeitado — não como ausência de festa, mas como presença de cidadania.

Fonte: Rádio Vida

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