Segurança pública: o eleitor precisa cobrar mais do que novas viaturas

Fotos: Joá Souza/GOVBA

A oportunidade para a população cobrar investimentos efetivos na segurança pública é agora. Muito mais do que entregar novas viaturas e inaugurar delegacias e pelotões, ações que costumam render discursos, fotos e fogos de artifício, é preciso fazer mais.

Segurança pública é dever do Estado, e a população precisa aprender a cobrar resultados concretos.Têm acontecido em todo o território baiano dois movimentos de escuta da sociedade: um promovido pelo grupo governista, o PGP (Programa de Governo Participativo), e outro pela oposição, denominado “Sua Voz é a Nossa Voz”. A pergunta que precisa ser feita é: quais propostas concretas para a segurança pública estão sendo debatidas?

Investir em segurança significa apenas criar conselhos e comitês? Entregar novas viaturas? Construir delegacias e pelotões? Realizar concursos públicos? Todas essas ações são importantes, mas, sozinhas, não resolvem o problema.Nos últimos anos, o que se viu foi uma reorganização da estrutura policial na Bahia. Em muitas cidades, houve redução do efetivo de policiais de serviço. Hoje, é comum encontrar apenas dois policiais em uma viatura realizando o patrulhamento urbano, enquanto o patrulhamento rural, em diversos municípios pequenos, praticamente deixou de existir. Em muitos casos, apenas uma viatura precisa atender centenas de quilômetros quadrados. Essa redução ocorreu há cerca de quatro anos, mas poucas pessoas perceberam o impacto dessa mudança.

Quando duas ocorrências acontecem ao mesmo tempo, a unidade policial precisa decidir qual atender primeiro e solicitar apoio de uma cidade vizinha. Em algumas situações, a viatura chega a interromper um atendimento para responder a uma ocorrência considerada mais urgente.Também houve mudanças administrativas, com o rebaixamento de companhias e a transferência de municípios para outras Companhias Independentes e batalhões. Na prática, em algumas regiões, isso acabou fragilizando ainda mais a capacidade de resposta das forças de segurança.

Outro ponto é que, muitas vezes, o governo não amplia a frota de viaturas, mas apenas substitui veículos que ainda estão em boas condições de uso. A renovação da frota é importante, porém não representa, necessariamente, aumento da capacidade operacional.O baiano precisa compreender que fortalecer a segurança pública passa pelo aumento do efetivo policial disponível para atender a população, por melhores condições de trabalho para os profissionais da segurança, remuneração digna, investimentos em equipamentos, fortalecimento da inteligência policial, maior autonomia operacional das forças de segurança, investigação eficiente, combate ao tráfico de drogas, retirada de armas ilegais de circulação e aperfeiçoamento da legislação penal por meio do Congresso Nacional.O que se observa é uma tropa frequentemente desmotivada. Sob condição de anonimato, muitos policiais afirmam que têm a sensação de “enxugar gelo”, diante da dificuldade de reduzir a criminalidade de forma duradoura. Há cerca de dois anos, por exemplo, uma unidade policial do Vale do Jiquiriçá trabalhava com policiais utilizando coletes balísticos vencidos. Situações como essa ajudam a explicar parte das dificuldades enfrentadas pela segurança pública.

Nos últimos anos, também foi observado o avanço de facções criminosas, inicialmente na capital e, posteriormente, em diversas cidades do interior. O Estado afirma estar combatendo essas organizações, mas parte da população percebe que a atuação do crime organizado continua avançando.Em Jiquiriçá, por exemplo, a população passou a conviver com uma sequência de homicídios e, mais recentemente, com a percepção de uma disputa entre grupos criminosos rivais, o que contribui para o aumento da violência. Engana-se, porém, quem acredita que essa realidade é exclusiva do município. O problema se repete em diversas regiões da Bahia.

Como estamos em período de pré-campanha e, em breve, de campanha eleitoral, este é o momento para o eleitor cobrar propostas concretas. Antes de levantar bandeiras partidárias, sejam elas azuis, vermelhas ou de qualquer outra cor, é fundamental questionar os candidatos: quais medidas efetivas pretendem adotar para melhorar a segurança pública? Como aumentar a capacidade de investigação? Como fortalecer as polícias? Como reduzir a atuação das facções criminosas? Quais resultados pretendem entregar?

Mais do que promessas, a população precisa exigir planejamento, investimentos e metas que possam ser acompanhadas ao longo dos próximos anos.

Fonte: Midia Bahia

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