Mercado de cacau deve ter alta nos próximos meses, avalia especialista de Mutuípe

Foto: Reprodução

O mercado do cacau tem sofrido um baque nos últimos meses. Produtores reclamam da cotação atual das amêndoas. No ano passo, houve quem conseguisse vender o cacau a R$ 1.200,00 por arroba. Porém nesses dias, o preço médio nos armazéns de Mutuípe é de R$ 350,00, uma desvalorização que já ultrapassa 70% em relação ao ano passado.

O reflexo desse cenário é comércio fraco, pouco estímulo na lavoura e uma preocupação generalizada com o futuro, afinal de contas, o cacau representa uma grandiosa parcela da economia da cidade. Neste sábado (27), muitos comerciantes comentaram que a feira estava fraca.

Três fatores são apontados como responsáveis pela desvalorização:

1 – Recuperação da lavoura africana

A lavoura cacaueira em Gana e Costa do Marfim não se recuperou totalmente da praga que os atingiu no final de 2023, porém, alguns sinais de melhoria na produção já são notados em determinadas áreas. Em Gana, a produção de cacau deve crescer 32% em este ano, em relação ao ano passado. (Passando de 531 mil para 700 mil toneladas.

2 – O Tarifaço americano nas exportações brasileiras

A indústria brasileira de derivados de cacau está sendo afetada por uma sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos. Nessa cadeia produtiva estão incluídos os derivados de cacau (como manteiga, gordura, óleo, pó). De acordo com a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau, as perdas podem chegar a R$ 180 milhões esta ano, se a tarifa for mantida.

3 – Recusa das empresas processadoras – Por causa do alto preço do cacau em 2024 (foi a commodity que mais se valorizou na bolsa de Nova York), as empresas produtoras diminuíram as encomendas, consequentemente houve uma diminuição na produção de chocolate. Com muita oferta e pouca demanda, os preços despencaram.

Mas ha uma luz no fim do túnel. Segundo uma pessoa ligada ao mercado em Mutuípe, há uma expectativa de aumento na cotação neste final de ano. Isso porque a partir de outubro, as empresas produtoras de chocolate começam a fazer as compras de cacau, visando o período da Pascoa (o intervalo de tempo entre a compra da matéria prima e a entrega do chocolate é de 3 meses).Os cacauicultores tem mais um motivo para manter a esperança na lavoura. O presidente americano Donald Trump foi bastante receptivo com o presidente Lula, na sede das Nações Unidas, na semana passada. Os dois líderes devem se reunir em breve para aparar as arestas e quem sabe por um ponto final nessa sobretaxa que vem atrapalhando bastante as exportações brasileiras.

Apesar das dificuldades enfrentada pelos produtores e do peso da crise no comércio local, o produtor de Mutuípe deve manter a esperança em dias melhores. A expectativa de retomada das compras pelas indústrias e o possível avanço nas negociações entre Brasil e Estados Unidos renovam o ânimo dos cacauicultores.

Fonte: Bricio Lopes/Interativa

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