Governo Lula discute criação de piso para entregadores de aplicativo; empresas são contra

Foto:Reprodução

Um dos temas centrais em debate no Grupo de Trabalho (GT) criado pelo governo Lula (PT) para regulamentar o trabalho dos entregadores de aplicativo é a definição de um piso para a categoria.

Atualmente, aplicativos como iFood e 99Food repassam valores que variam conforme horário, demanda e distância percorrida, sem garantia de remuneração mínima. Com as eleições de 2026 no horizonte, o governo tenta avançar nessa pauta considerada sensível entre os trabalhadores. As informações são do Uol.A Anep (Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativos), que representa grande parte dos trabalhadores, reivindica uma base mínima de R$ 10 por entrega. No entanto, parlamentares já indicam que a unificação nacional é improvável devido às diferenças econômicas entre municípios.

Segundo o governo, nas reuniões realizadas nesta semana com empresas do setor, houve resistência imediata.
“Elas não aceitam o piso remuneratório. Colocaram seus limites”, afirmou Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência, que participou dos encontros ao lado do ministro do Trabalho, Luiz Marinho.Outras reivindicações em discussão

O GT atua paralelamente ao projeto de regularização das categorias que tramita na Câmara dos Deputados. O relatório do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) deve ser apresentado na próxima semana.Entre os pontos considerados mais consensuais estão:

  • Garantia de proteção social semelhante à previdenciária;
  • Ampliação da transparência nos algoritmos usados pelos aplicativos;
  • Medidas que deem mais clareza aos trabalhadores e clientes sobre critérios de distribuição de entregas.

Boulos destacou que a falta de transparência algorítmica é um dos maiores problemas relatados pelos entregadores:
“Há casos de trabalhadores que, ao parar para almoçar e desligar o aplicativo, ficam duas ou três horas sem receber chamadas, como forma de punição algorítmica. Como isso pode ser admissível em uma sociedade de direito?”, questionou.

Fonte: Voz da Bahia

google news
  • TAGS