A Bahia no radar internacional: Terras raras do Vale do Jiquiriçá viram alvo

- Foto: Divulgação/Semad

No interior da Bahia, o Vale do Jiquiriçá começa a ganhar destaque em uma disputa silenciosa, mas estratégica, por minerais capazes de redefinir a economia e a tecnologia mundial. Ubaíra, Jiquiriçá e Mutuípe abrigam reservas de elementos pouco conhecidos, como disprósio e térbio — fundamentais para ímãs de alta tecnologia, motores elétricos, turbinas eólicas, satélites e sistemas de defesa.À frente desse movimento está a Borborema Mineração, braço brasileiro da australiana Brazilian Rare Earths (BRE), que anunciou investimentos de R$ 3,5 bilhões para a produção de concentrado mineral e óxidos de terras raras, com início previsto em 2028. O projeto vem sendo acompanhado de perto pelo governo baiano, que reforça o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a diversificação econômica. Terras raras: o ouro invisível do século 21.

As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos — os 15 lantanídeos, além do escândio e do ítrio. Eles são indispensáveis para a tecnologia atual, presentes em ímãs permanentes de alta resistência, motores elétricos, turbinas eólicas, satélites, sistemas de defesa, robótica e até impressão 3D de alta precisão.Entre esses elementos, os “pesados” — como disprósio e térbio — são os mais escassos fora da Ásia, mas têm papel central na produção dos ímãs DyNdFeB, que sustentam as tecnologias ligadas à energia limpa, à robótica e à defesa.

Hoje, cerca de 70% da produção mundial de terras raras está concentrada na China, que controla 90% do refino global. Nesse cenário, o Brasil, com o segundo maior recurso natural no mundo, desponta com reservas estratégicas ainda pouco exploradas.

A Borborema afirma que a Bahia possui infraestrutura portuária estratégica, mão de obra qualificada e condições para a verticalização da cadeia produtiva, sendo esses os motivos que fizeram a Brazilian Rare Earths aterrissar em solo baiano para exploração de terras raras.

Esses são os elementos que possuem números atômicos menores.

  • Lantânio (La)
  • Cério (Ce)
  • Praseodímio (Pr)
  • Neodímio (Nd)
  • Promécio (Pm)
  • Samário (Sm)
  • Európio (Eu)
  • Escândio (Sc)
  • Ítrio (Y)

Aplicações tecnológicas e cadeia produtiva

As terras raras encontram-se no cerne da economia moderna, com usos em:

  • Robótica: motores e atuadores de precisão;
  • Veículos elétricos: ímãs de alta eficiência;
  • Energia limpa: turbinas eólicas mais potentes;
  • Defesa: drones, radares e sistemas de orientação;
  • Eletrônicos: smartphones, computadores e impressão 3D.

A Borborema pretende produzir, inicialmente, concentrados minerais e, na segunda fase, avançar na cadeia produtiva com separação de óxidos de neodímio e praseodímio, além de concentrados de terras pesadas.

Fonte:A tarde

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