A recente declaração do governador Jerônimo Rodrigues (PT), afirmando que o governo da Bahia está preparado para apoiar demandas do movimento do “Grau”, gerou forte repercussão e críticas de especialistas em segurança viária, autoridades do trânsito e parte da população. O incentivo oficial ocorre em um momento em que diversos acidentes têm sido registrados em todo o estado devido à prática de manobras perigosas realizadas por motociclistas muitas delas em vias públicas e sem qualquer tipo de controle.
O apoio do governador inclui a construção de pistas específicas, aquisição de equipamentos e incentivo à realização de eventos dedicados ao “Grau”, modalidade que consiste em empinar motos e executar acrobacias sobre duas rodas. As declarações foram dadas durante conversa com o ex-prefeito de Castro Alves, Thiancle Araújo, que coordena a criação da Federação Baiana do Grau, cuja assembleia de fundação acontecerá no dia 10 de dezembro, na Assembleia Legislativa da Bahia.
Embora Jerônimo Rodrigues defenda que “grauzeiro não é bandido” e que a repressão não resolve o problema, afirmando que regulamentar é o caminho mais seguro, críticos apontam que o discurso pode estimular a prática irregular e colocar em risco a integridade de motoristas, pedestres e dos próprios praticantes.
Acidentes crescentes preocupam autoridades
Nos últimos anos, manobras perigosas envolvendo motociclistas têm resultado em uma série de acidentes graves na Bahia, alguns com vítimas fatais. Em muitas cidades, vídeos viralizados nas redes sociais mostram motociclistas realizando acrobacias em áreas urbanas, frequentemente sem equipamentos de proteção adequados.
Para especialistas em segurança no trânsito, embora a regulamentação de espaços específicos seja uma alternativa viável, o apoio governamental sem um debate mais amplo pode passar a impressão de incentivo a uma prática que, quando feita em vias públicas, é ilegal e representa sério risco à vida.
Críticas à mensagem enviada pelo governo
A principal crítica direcionada ao governo é a falta de clareza na comunicação. Para muitos, ao comparar o “Grau” com esportes como boxe, skate e surfe, o governador minimiza os riscos envolvidos e ignora que as manobras com motocicletas, quando realizadas fora de locais controlados, têm potencial muito maior de causar tragédias.
Além disso, opositores e representantes de entidades de trânsito temem que o discurso acabe fortalecendo grupos que já desrespeitam as normas estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro, agravando a sensação de impunidade.
Debate deve avançar com foco na segurança
Enquanto o governo afirma que regulamentar é a saída para reduzir danos e garantir um ambiente apropriado para a prática do “Grau”, críticos insistem que o tema exige responsabilidade, dados técnicos e discussão ampla com especialistas em trânsito, Ministério Público, Detran e organizações de segurança rodoviária.
A criação de pistas específicas pode ser um passo positivo, mas especialistas defendem que qualquer iniciativa deve vir acompanhada de campanhas educativas, fiscalização reforçada e diálogo transparente evitando mensagens que possam ser interpretadas como estímulo a práticas ilegais e perigosas.
O tema segue em debate, e a assembleia de fundação da Federação Baiana do Grau, marcada para 10 de dezembro, deve intensificar ainda mais as discussões sobre até onde o incentivo estatal contribui para organizar o esporte e onde ele pode, inadvertidamente, colocar vidas em risco.
Fonte: Rádio Prazeres

Lorito Bastos Santos é um profissional versátil com vasta experiência na área de comunicação e serviço público. Formado em Rádio e Televisão pelo Instituto Técnico da Bahia, possui registro profissional de número 7609/BA. Além disso, é graduado em Marketing e possui pós-graduação em Publicidade, demonstrando sólida formação acadêmica e capacitação técnica. Atualmente, Lorito é servidor público do Estado da Bahia ,repórter policial e administrador da Rádio Prazeres FM, localizada em Jiquiriçá.




